
Rubi Malone é o tipo de mulher que você não gostaria de ter como inimiga. Ela consegue manusear duas pistolas ao mesmo tempo, se vira muito bem com a sua inseparável espada e tem uma boca muito, mas muito suja. A protagonista de WET faz muito mais que isso e traz uma personalidade forte e intensa para um jogo divertido e com uma excelente trilha sonora.
Na primeira missão de Rubi, ela salta de um telhado de vidro para dentro de uma sala onde estava acontecendo uma reunião entre dois criminosos. A missão dela é confiscar uma mala contendo um coração humano em posse de um dos mal feitores. Basta ela tocar o chão que um verdadeiro exército parte para cima dela disparando balas de todas as direções.
Rapidamente você aprende que Rubi é uma excelente acrobata, o que é muito útil na hora de escapar dos tiros. Quando ela salta no ar ou desliza de joelhos pelo chão, a cena se torna em câmera lenta e você pode atirar com dois revolveres ao mesmo tempo. Enquanto uma arma foca automaticamente no alvo mais próximo, cabe ao jogador mirar manualmente no segundo alvo. Ela ainda pode finalizar rapidamente seus inimigos dilacerando seus corpos com a sua afiada espada. Antes que você perceba, a sala já está toda vermelha de sangue e você matou fácil, fácil uns doze capangas infelizes.
A história começa de verdade quando a personagem descobre que foi traída por um dos homens que contratou seus serviços de mercenária. O homem pede para que ela vá até Tóquio resgatar seu filho que está envolvido com gangues da pesada. Quando Rubi chega com o homem e o entrega para recolher seu pagamento, o mesmo é assassinado a sangue frio na mesma hora. Enquanto a cabeça dele rola no chão até encontrar os pés da protagonista, os capangas do vilão tiram o dinheiro dela e somem. Isso basta para que ela fique furiosa e jure vingança.
Os cenários de quase todas as batalhas que Rubi enfrenta possuem portas por onde saem inimigos a granel. Até que você destrua determinados ícones espalhados que travam essas portas, os caras continuam vindo pra cima de você. A protagonista recupera sua vida quando bebe uma garrafa de uísque, porém durante a batalha não há engradados por perto. Para se regenerar é necessário matar o maior número de bandidos possível para realizar combos. Quanto maior o multiplicador de assassinatos, mais vida você recupera.
Rubi começa a deslizar pelo chão, salta no ar ou anda pelas paredes com o toque de um botão do controle. Mas essas não são todas as peripécias que a aprendiz de Daiane dos Santos sabe fazer. Ao apertar outro botão, o jogador consegue enxergar através da “Rubi Vision”, um modo que indica quais superfícies do cenário a personagem pode interagir. Você pode se pendurar em barras suspensas no melhor estilo “trave de ginástica olímpica”, deslizar escadas de ponta cabeça enquanto atira, escalar prédios, usar paredes como apoio para dar cambalhotas e mais alguns truques.
No final de cada missão você é julgado pelo tempo em que completou a tarefa, pela diversidade de acrobacias que utilizou e pelo número do seu multiplicador de assassinatos. Quanto melhor for o seu desempenho, mais pontos você ganha para gastar nos upgrades da personagem. Há opções de melhorar a resistência e a fatalidade da personagem e também de melhorar suas armas.
Algumas das opções são um tanto quanto falhas, já que deveriam estar disponíveis desde o começo do jogo. A sensação de não poder atirar enquanto escala prédios e desce cordas – sendo que você está levando chumbo sem poder fazer nada – é bem frustrante. Mas não demora muito para você conseguir comprar essas habilidades além de novas armas poderosas.
A falta de alguns movimentos no início do jogo não é a única coisa que prejudica a personagem durante a sua busca por sangue. Não são raras as vezes em que no final das cutscenes quando o gameplay está prestes a começar, você já se encontra levando tiros sem poder fazer nada a respeito – afinal, você ainda está assistindo o final das cenas enquanto escuta Rubi levar balas. Durante algumas acrobacias, Rubi acaba deslizando em câmera lenta diretamente de encontro com uma pilastra, com a parede ou qualquer coisa que te impede de se mover ou continuar atirando. Mas isso não é o pior. Ruim mesmo é quando Rubi desliza para um penhasco e morre. A câmera lenta apesar de ser muito legal, demora para responder quando você quer encerrar seu movimento.
Apesar desses erros que podem irritar quando você precisa reiniciar a fase ocasionalmente, a diversão do jogo ainda é garantida. Inimigos não faltam para matar e quando algum homem chega muito perto, Rubi é obrigada a dar um “headshot” nele que deixa o seu rosto encharcado de sangue respingado. Automaticamente um alarme começa a soar, ela te encara com uma cara de brava/louca/psicopata e você sabe que vem chumbo grosso por aí.
Quando Rubi fica com a sua cara coberta de sangue e entra no “Rage Mode”, a tela se transforma. O cenário todo passa a ser vermelho, preto e branco. Nada mais importa a não ser matar, matar, matar e matar rápido. A personagem fica mais veloz ainda, muito mais mortal e o número de inimigos também aumenta consideravelmente. Durantes essas fases o multiplicador chega a atingir os números mais altos de assassinatos.
WET também tem fabulosas fases com eventos em tempo real. Em determinada ocasião, Rubi precisa caçar um homem que está fugindo a toda velocidade em seu carro. Para conseguir chegar até ele, a protagonista precisa se equilibrar nos capôs dos carros da rodovia enquanto dá conta dos capangas armados que vão aparecendo em outros carros. Se você apertar o botão errado na hora errada, vai direto com a cara no asfalto.
Quando você termina o modo história, destrava os desafios. Neles você precisa explorar o cenário acrobaticamente atravessando círculos que ativam alvos. Quantos mais alvos você acertar, melhor a sua pontuação. O tempo para cumprir seus objetivos é limitado e eventualmente algumas acrobacias atrapalhadas te impedem de concluir de primeira (segunda, terceira) o desafio.
O visual de WET foi inspirado nos filmes do cineasta Quentin Tarantino. A casa de Rubi fica no meio do deserto, onde ela habita a carcaça de um avião. O clima de velho oeste é complementado pela excelente trilha sonora feita exclusivamente para o jogo. Não só em sua cidade natal, mas quando a personagem viaja para o Japão ou explora fabricas abandonadas e um eventual frigorífico, a música consegue casar perfeitamente com a ação e chama muito a atenção.
Os personagens são extremamente caricatos, violentos e possuem a aparência de mafiosos perigosos. Mas se eles são perigosos, Rubi consegue ser ainda mais. Dublada pela atriz Eliza Dushku, a protagonista dá um show no repertório de palavrões e frases de efeito dignas de Chuck Norris. Tudo isso acompanhado do seu visual estonteante e a sua destreza com armas faz de Rubi uma personagem memorável.
WET tem uma jogabilidade boa exceto pelos eventuais escorregões da personagem. Atirar em dezenas de inimigos em câmera lenta enquanto você os xinga de tudo que vier na cabeça é extremamente divertido. A fantástica trilha sonora complementa o ritmo frenético da ação e os personagens fazem te fazem rir pela alta quantidade de clichês usados propositalmente na fala. Rubi Malone consegue entreter mesmo com as suas derrapadas e faz um bom trabalho estrelando o jogo de ação. Se você gosta de tiroteios, muito sangue, ação frenética e pode jogar bem longe da sua mãe para ela não ficar horrorizada com os palavrões, vale a pena conferir WET.
Análise: WET
Postado por
GABR_I_EL M.
às
14:46
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